Num único plano-sequência, Hitchcock e seu cinegrafista, com auxílio de travelling, zoom e panorâmica, apresenta-nos o protagonista do filme, Jeff Jefferis (James Stewart): fotógrafo profissional, vencedor de alguns prêmios, tem uma bela mulher em sua vida, mas está confinado em casa por ter quebrado a perna durante trabalho fotográfico, sem ter muito o que fazer começa a bisbilhotar a vida dos vizinhos. Pronto. E tudo sem dizer uma única palavra, usando apenas movimentos de câmera.
Sem fazer nenhuma pretensa comparação, modestamente sempre quis fazer algo parecido com a apresentação de Jeff, em Janela Indiscreta, em algum projeto audiovisual que eu participasse. Então foi de onde me inspirei para fazer um filme publicitário de 30s, com a temática do Dia das Mães, na disciplina Cinegrafia, que estou estudando na Fundação Rede Amazônica. O cliente fictício foi O Boticário. Intitulado: Cuide Bem do Seu Amor. Não ficou exatamente como imaginei, mas pelo menos o esqueleto da idéia se manteve.
Parecido com o que Hitchcock fez com Jeff, a minha ideia original era mostrar a relação entre mãe e filho: a câmera passearia por um cômodo da casa da família, mostrando a passagem do tempo e o afeto através de porta retratos e outros objetos em cena. Por falta de tempo na produção, consegui mostrar apenas a parte dos porta retratos, e sem toda a produção que pretendia. Acabei sozinho produzindo, dirigindo, fazendo a iluminação, sendo o cinegrafista e editando tudo. Pena que quando postei o vídeo no youtube, perdeu um pouco de brilho e contraste.
Filmei tudo com uma Sony HVR-Z1U HDV. Como cinegrafista, não é tão fácil assim enquadrar com precisão, para conseguir um bom movimento, é preciso saber controlar a respiração e as passadas. Na iluminação, usei apenas dois pontos de luz: uma soft, com filtro de efeito Blue #61, como Key Light; e outra com filtro de efeito âmbar #20, como Set Light.
Para quem conseguiu perceber crianças rindo ao fundo, logo no início do filme, tirei a ideia do final de Sinais (Signs, 2002), de M. Night Shyamalan, quando o diretor indiano resolve o conflito dramático do protagonista Graham Hess (Mel Gibson) com um movimento de câmera e escutamos as crianças rindo ao fundo em outro cômodo da casa. Opinem sobre o simples VT que fiz, por favor.
Breno Yared


8 comentários:
Me inclui aí, nessa seleção dos que admiram Hitchcock... e veneram “ Rear Window”.
É metalinguagem da melhor qualidade, focada (com trocadilho) no fotógrafo-herói-detetive-comum do James Stewart.
Trama que coloca o personagem principal e o espectador do filme no mesmo “ponto de vista”. Simplesmente... fantástico!
Já li em algum lugar, que não lembro onde, que o Jeffries foi o personagem preferido do ator.
E fico me perguntando, toda vez que revejo o filme, se não é o meu preferido com ele, também.
Mas acabo dividido entre o trabalho dele como Scottie, em “Vertigo”, do “gorducho inglês", por ser genial; ou o Stoddard, em “O Homem que matou o facínora”, por afetividade ao filme do John Ford, mesmo.
Daí... não resisti em falar um pouco do J.S. antes de comentar sobre o seu VT – que é tocante (outro trocadilho, por conta da música, linda, linda, dos Paralamas).
Bom o tributo ao mestre em 30 segundos, na releitura bem aproveitada... boa a escolha da trilha... boa a edição de fotos (que contam a historinha)...
Tem futuro , hein mano!!!!
Faaaala Safado. Então: Janela foi o primeiro Hitchcock que assisti, com uns oito ou nove anos, junto com a minha prima.
Dali para ver o restante com o meu pai foi um pulo, até o momento que tenho 20 filmes do gordão. Mas Vertigo ainda é o melhor filme dele, principalmente pela Kim Novak, afff!!
Quanto ao VT, achei bacana, só teria terminado com uma mâe e uma filha de verdade dentro de uma moldura vasada de quadro, e uma delas teria levantado os dizeres que assinava o VT, assim como a outra segurava a moldura...
Mas aí, parabéns e vê se passa lá em casa porra! Tô precisando dos meus livros do Billy Wilder para a pós que tu descartou (aliás, assisti a um filme desse safado, sensacional: A Primeira Página nota 9,0!)
Rod Castro
Valeu, Hal! Difícil escolher meu Hitch preferido entre tantas obras-primas, mas ainda fico com “Vertigo”. Acerca de “Janela Indiscreta”, além da cena que citei neste post, ainda há outras magníficas: a aparição de Lisa (Grace Kelly); outra quando Htch nos mostra, num rápido close up de Jefferies, o momento em que ele se apaixona por lisa; e a escolha precisa de diferentes pontos de vista, ora o de Jefferies, ora apenas para nós espectadores.
Abraço!
Fala, Safado! Eu tinha mais ideias para o VT, mas como escrevi, infelizmente não pude realizar todas, já que fiz praticamente tudo sozinho. Ficou pelo menos um “raf” da ideia original. E eu não descartei a pós, não. É que não sou rico que nem o cara que criou a melhor campanha do ano em Manaus: “Eu Tenho Orgulho de Ser Amazonense”.
Abraço!
Maravilhoso plano sequência, quem não se delicia com um momento desse não tem paladar. Não por acaso até o próprio Hitchcock tinha esse como um de seus prediletos, um primoroso trabalho da câmera subjetiva. O mais impressionante é ele fazer isso em um único cenário, sem nem mesmo mostrar a rua em frente à pequena vila. O mais legal do teu vídeo é mostrar que essa lingüagem é eterna, sempre funcionará desde que se tenha um objetivo por detrás dela.
Valeu, Fernando!
Olha Breno não tenho conhecimento nessa area. Mas eu entendi a mensagem, e história que se passa no VT.
Parabéns!
É por aí, Fábio. Em propaganda, o melhor elogio é saber que as pessoas entenderam exatamente o que querias dizer. Então a gente tem uma resposta que o apelo funcionou.
Abraço!
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