Em outubro de 1998, após chegar da escola, vi minha edição de Showbizz jogada do lado de dentro da minha casa. A capa: 30 anos de Led Zeppelin. Pestanejei na hora: quando não era o Renato Russo na capa – as viúvas do cantor transformaram a revista numa espécie de homenagem constante – era uma banda das antigas. E como ficavam os meus gostos na época?
Enfim, ainda enraivecido pela capa, acabei fazendo o que nunca fiz, na minha carreira de leitor de revistas “culturais”: comecei pela matéria principal. Em vez de ler e ficar com o sentimento de ter me livrado de algo enorme e desnecessário, a experiência me fez tão bem, que li e reli a matéria dezenas de vezes ainda naquele mês.
E como aquela banda era e é tão importante para o rock – principalmente o pesado – a gravadora, Warner, entregou de presente para os fãs do mundo todo, uma reedição de todos os CDs do Zeppelin de chumbo. Todos remasterizados e com o selo de 30 anos da criação da banda.
Naquela mesma semana, me vi em uma loja do ramo de CDs, ao lado da minha tia – que patrocinou centenas de discos para mim – e me arrisquei a comprar somente um disco. Afinal, se fosse tudo aquilo mesmo, economizava dinheiro e comprava o restante. O escolhido da vez era “Houses Of Holy” o disco entre o adorado “Led Zeppelin IV” e a obra-prima “Physical Graffiti”.
E que maneira mais interessante de se falar da minha banda favorita de todos os tempos, do que escrever algo sobre esse excelente disco que foi lançado há 35 anos? Aqui começa a experiência:
2 – “The Rain Song”: Logo na segunda música você sente que a banda era altamente original e ao mesmo tempo “se garantia”: como se faz uma segunda música totalmente inversa à primeira canção? Serena, praticamente sem peso – tirando seu final - com violinos e teclado moogie e um vocalista saudosista. Essa era a banda mais pesada de sua época? Sim e isso é rock, atitude.
3 – “Over The Hills and Far Away”: Vez por outra o sangue celta e a ascendência bárbara da banda tomava conta do som e resultava em canções que nasceram prontas para figurarem em trilhas sonoras de épicos do estilo de cinema “capa e espada”. Essa é mais uma. E toma-lhe violão com guitarra riffada e bateria ritmada.
4 – “The Crudge”: Se “Songs Remains The Same” era a clássica, essa era a resposta de uma banda de rock pesado aos panacas que achavam que eles deveriam se limitar a tocar mais do mesmo em todos os seus discos. Aqui não. Assim sendo: bata o pezinho e jure que está ouvindo uma típica música do mestre James Brown. Funk de verdade e sem direita a “batidão”.
5 – “Dancing Days”: Mas cadê o peso? Como assim? Há algo mais pesado para um homem do que um relacionamento em que ele se esforça e sempre dá algo errado? Aqui está o peso de uma relação em que um rapaz tenta de tudo para ficar com sua amada e seu esforço não dá em nada.
Com direito a viradas e pegadas marcantes na bateria, vocal desleixado e um dos melhores solos rápidos do mestre Jimmy Page – já no finalzinho. “You Know It’s Allright”.
6 – “D’Yer Mak’er”: Lembra da atitude que falei em “The Crudge”? Aqui ela está de volta, a banda investe de forma precisa em um dos reages mais conhecidos do planeta. Mas ainda assim com as marcas registradas da banda: bateria precisa e batida pesada, guitarrista inventivo, baixista estraçalhando e “Oh, oh,oh,oh,ohhh” de Robert Plant propositalmente desleixados.
Clássico é assim que se chama um dos melhores discos de rock e que sempre não teve todo o respeito que deveria ter. E sim, a canção permanecerá a mesma.
Rodrigo Catro

