Close up-plano geral. Nada melhor que planos de tamanhos opostos – menor-maior -, para mostrar o tamanho das imagens como função dramática no cinema. Como nos exemplos que mostro, aqui, em A Vila (The Village, 2004), de M. N. Shyamalan, e Zodíaco (Zodiac, 2007), de David Fincher.
Para começar, o sublime close up do rosto de Ivy Walker (Bryce Dallas Howard) pedindo ao seu pai Edward Walker (William Hurt) para ir às cidades em busca de medicamento a fim de salvar Lucius Hunt (Joaquim Phoenix), que foi esfaqueado pelo retardado da vila, Noah Percy (Adrien Brody).
Ivy ama Lucius. E o tamanho da imagem tem o exato significado desse amor. Tudo em volta se torna insignificante. Nem vemos o rosto de Edward, só escutamos sua voz. Ficamos apenas com o rosto de Ivy que preenche magnificamente o enquadramento. O close up como amor.
No filme de Fincher, o plano geral do cartunista editorial Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal) nos dá a sensação de desamparo. Funciona como uma cena de transição. A partir deste momento, Robert é o único que ainda acredita em encontrar o assassino serial Zodíaco.
A encenação da cena em profundidade de campo consiste em Robert vindo do fundo conversar com o inspetor Dave Toschi (Mark Ruffalo) sobre o caso do assassino. David está sempre ao centro do enquadramento.
Dave vai embora. Assim David está sozinho. De braços cruzados. Abandonado. O plano geral como desamparo. Fade out.
Close up-plano geral. Menor-maior. As escolhas devem depender sempre da eficácia dramática. Precisam ter o exato tamanho da emoção que o diretor quer deixar impressa no enquadramento. Se no filme de Shyamalan o close up representa o amor, no filme de Fincher o plano geral representa o desamparo. Planos de tamanhos opostos, mas que mostram perfeitamente a emoção contida neles.
Breno Yared

