sábado, 12 de dezembro de 2009

Emprego Novo, Vida Nova

Como estou com pouco tempo disponível para atualizar o blog – mas prometo que em breve o farei -, por causa de trabalho e estudo, posto aqui algumas matérias que editei para o jornal local Amazônia TV (AMZTV) da Rede Amazônica, de segunda a sábado, às 11h45min, na Globo.

O mais complicado de editar para jornalismo é o pouco tempo que o editor tem para finalizar uma matéria. Algumas vezes, chega à redação poucos minutos antes do jornal entrar no ar. Com isso, o jornal estando no ar, ainda estou editando.


Esta semana, peguei uma matéria, sobre um curso de calçado, às 11h20min - antes das 12h00min a terminei, matéria com mais de 2 minutos. É o tempo de capturar as imagens e o off, tirar as sonoras e esqueletar; depois cobrir o off com as imagens de apoio, balancear o áudio e bater os créditos. Pior é quando ainda tem BG e sobe som. Às vezes, infelizmente, saem uns erros que só são vistos quando a matéria está no ar.


Exposição ICBEU



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Breno Yared

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Inglourious Basterds

No confronto final de Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo, 1966), de Sergio Leone, temos: Blondie (Clint Eastwood), Angel (Lee Van Cleef) e Tuco (Eli Wallach). Posicionados, cada um, num canto do enquadramento. A trilha sonora do gênio Ennio Morricone surge rasgando, mesclando-se com a decupagem dos enquadramentos que dilatam o tempo da sequência. Sabemos que o confronto acontecerá. Mas a construção da sequência em si acaba sendo mais importante, intensa e lírica do que o seu desfecho.

Na abertura de Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009), estamos em 1941, Segunda Guerra Mundial. Numa fazenda, mulheres estendem lençóis no varal. O vento os balança, a trilha sonora de Morricone invade a tela, mostrando-nos a chegada de um grupo alemão. O homem ordena às meninas que entrem na casa. Temos a dilatação do tempo, a preparação do que parece ser um duelo. Nada acontece. Mas só à primeira vista.

O Col. Hans “caçador de judeus” Landa (Christoph Waltz), do grupo alemão, procura judeus refugiados, supostamente, na fazenda de Perrier LaPadite (Denis Menochet). Já dentro da casa de LaPadite, Landa o interroga. O diálogo é todo construído neste único cenário, seguindo a continuidade clássica, onde Tarantino compõe quase toda a sequência com a mais simples, antiga e cinematográfica das técnicas cinematográficas: o campo e contracampo.

Mais precisamente: campo e contracampo em planos médios, onde podemos visualizar, com precisão, gestos e movimentos de Landa e LaPatide: o tomar de um copo de leite; o acender de um charuto; a tensão dos olhares; o tempo das palavras ditas; e os silêncios. Tarantino não tem pressa, faz uma sublime apresentação de Landa, compondo sua personalidade: meticulosa e irônica. Até que há uma sutil mudança. A câmera faz um travelling por de trás dos dois. Corta, e depois se movimenta para mostrar, apenas a nós, os judeus que se escondem embaixo do assoalho da casa.


Campo e contracampo continuam dominando toda a sequência, mas, agora, são mais dramáticos: fecham apenas nos rostos de Landa e LaPatide, alternando: um e outro. Mostram a mudança de expressão de ambos, dando um novo tom à sequência, até o desfecho inesperado. Que foi meticulosamente construído por Tarantino. Os diálogos do seu novo filme alcançam a mesma importância, lirismo e esmero dos duelos nos filmes de Sergio Leone.




Lógico que em algumas outras sequências de diálogo de seus filmes, como o duelo final em Kill Bill – Vol. 2 (2004), entre A Noiva (Uma Thurman) e Bill (David Carradine), já tinham a mesma estrutura das de Bastardos Inglórios. Mas nenhum se equipara à elegância dos diálogos deste. Se Leone nos deu uns dois mais belos e líricos duelos do cinema, Tarantino em seu novo filme nos deu umas das mais belas e líricas sequências de diálogo do cinema.


No desfecho do primeiro capítulo, Tarantino ainda se dá ao luxo de citar o famoso enquadramento de John Ford no final do faroeste Rastros de Ódio (The Searchers, 1956). Mas ao contrário de Ethan Edwards (John Wayne) que completa sua vingança, mas continuará errante e solitário, Shosanna Dreyfus (Mélaine Laurent) – única sobrevivente ao massacre na casa de LaPatide – corre para, no futuro, ter sua vingança. À primeira vista estamos num filme de guerra, no subgênero filme de missão. Mas, sobretudo, estamos num filme de vingança.


No terceiro capítulo, Shosanna cresceu. Continua morando na França. Onde herdou uma sala de cinema de seus tios. Fato que a faz conhecer o herói de guerra nazista, Fredrick Zoller (Daniel Br ühl). Outro fato que a faz conhecer o ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels ( Sylvester Groth), que dirigiu o filme Orgulho da Nação, em homenagem aos atos heróicos de Zoller. E o fato que a faz ficar frente a frente com assassino de sua família: o Col. Hans Landa.


Numa única sala como cenário, onde Zoller tentar convencer Goebbles a fazer a estreia de seu filme na sala de cinema de Shosanna, Landa a interroga a sós. Landa, como sempre, incisivo; enquanto Shosanna tenta esconder seus sentimentos. A escolha de Tarantino na decupagem: o campo e contracampo. A cada pedaço cortado de torta, de creme, da respiração, dos olhares, Tarantino cria a tensão.


Na última parte, do campo e contracampo mais dramático da sequência – close no rosto dos dois -, Landa titubeia em dizer algo, mas não diz. Sai de cena. Shosanna se desfaz em lágrimas. Poucos cineastas no cinema atual sabem filmar sentimentos como Tarantino. São seus duelos estáticos. Carregados de lirismo.

Breno Yared

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

É Taranta, Você fez sua Obra-prima… ou: Bastardos Inglórios


Nesses mais de 30 anos de vida, não me lembro de ter falado tantas vezes “É o melhor filme dele (diretor)” em uma sala de cinema. Posso ter constatado isso ao assistir “Ratatouille”, mas esta reação veio com o subir dos créditos. Talvez em “O Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei”, mas já estava no corredor de saída. Ali, assistindo e somente com 35 minutos de filme, isso nunca me ocorreu.


Ou melhor: na última sexta fiquei repetindo essas palavras dezenas de vezes enquanto assistia a obra-prima de Quentin Tarantino: “Bastardos Inglórios”. Sei que muitos arremessarão pedras, mas o filme é tão bom, que tive que rever todos os filmes do diretor Americano – incluindo aí, alguns que ele fez somente o roteiro, como “Amor À Queima Roupa”.


E esta minha conclusão não é empolgação, é certeza. A cada minuto de projeção você, principalmente quem é fã do diretor, entende porque Quentin demorou tanto neste roteiro: ele queria a perfeição.


E tudo está no lugar certo (como dizia Thom Yorke): personagens incríveis, história simples, sacadas visuais, palavras tão bem escritas (e ditas) que são decoráveis e sequências inteiras rodadas com maestria que arrancam riso ou sorrisos – a última reação é de constatação de que este é um filme para se ver e rever muitas vezes.


História


O roteiro é dividido em três partes: uma moça (Shosanna) se torna a única sobrevivente judia de uma família “genialmente” massacrada pelo “Caçador de Judeus”, o coronel Hans Landa, na França recém tomada pelo exército de Hitler; no futuro, Shosanna se torna dona de um cinema em Paris e acaba bolando um plano para por um fim a vida dos líderes nazistas, incluindo o próprio filho do cão, Hitler; neste mesmo tempo, somos apresentados a um grupo de soldados americanos cruéis, que se divertem massacrando os “nazis”, os Bastardos.


Basicamente é isso. Fácil e simples assim. Melhor, o filme não se utiliza de montagens entrecortadas para mais explicações ou transformar as histórias em mitos, pelo contrário, são narradas com câmeras quase estáticas e em muitos momentos, lembra uma peça encenada em grande tela.


Outra dado importante: não espere por um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, a história de “Bastardos” é uma das mais corajosas já contadas sobre este fato histórico, sendo capaz de ter um final nunca antes pensado e brilhante – que não merece ser falado e sim descoberto por você no cinema.


Personagens


Quem leu até aqui, deve conhecer a capacidade de Tarantino em criar personagens únicos. Pois vou contar um segredo do filme: os melhores personagens criados pelo diretor estão em “Bastardos Inglórios”. Tempo para você se indignar e citar nomes inesquecíveis como os de Vincent Vega, A Noiva, Mr. White, Butch, Mr. Orange, Bill, entre outros. Pode xingar aí…


Já? Continuando. Parece que o queixudo leu um livro com delcarações de Walt Disney e viu que “o vilão tem que ser mais importante que o herói, sempre” e tal inspiração o fez criar seu personagem mais incrível: o coronel Hans Landa, criado (pois deve ter muito das percepções desse ator ali) de forma visceral pelo ator alemão Christoph Waltz – que deve levar todas as premiações de coadjuvante do ano que vem, já levou Cannes.


Landa é o mal encarnado. Sabe aquele mal estar que somente Hanibal Lecter (de “O Silêncio dos Inocentes”), Coringa (de Heath Ledger), Tony (de o “Poderoso Chefão II”) e o Coronel Walter E. Kurtz (de Marlon Brando em Apocalipse Now) são capazes de infligir quando estão em cena? Então, Landa consegue o mesmo efeito. Um personagem já perpetuado na história do cinema.


Os “Bastardos” não ficam atrás e levam à seguinte conclusão: o que faz Eli Roth ser diretor com tanto potencial para encenar? Como um arrogante inglês, mesmo sendo um britânico e crítico de cinema, conquista sua afeição de tal forma que você lamenta por ele aparecer tão pouco? E Aldo Raine é o segundo melhor papel já encarnado por Brad Pitt – o primeiro ainda é Tyler Durden, de o “Clube Da Luta”. Deve ganhar corpo e lembrança com o passar do tempo.


Sequências


São tantas, tantas, mas vamos lá: a primeira cena de Landa em uma casa de camponês (a maldade sem exageros); os resgates e torturas dos Bastardos; a apresentação do personagem crítico de cinema que é espião inglês; o melhor tiroteio já imaginado pelo diretor; e toda a sequência final no cinema de Shosanna – destacando o encontro entre Landa e os Bastardos - uma ode ao bom cinema em pouco mais de 25 minutos.


Veredicto


Aldo (ou seria Tarantino?) olhando direto para o público, já disse o que irei dizer: “essa deve ser a minha obra-prima”. Nota 10!!


Rodrigo Castro